Em
2025, motivados pelos 800 anos da composição do
Cântico das Criaturas de São
Francisco de Assis; pelos 10 anos de publicação da Carta
Encíclica Laudato Si’; pela recente
publicação da Exortação
Apostólica Laudate Deum; pelos 10 anos de
criação da Rede
Eclesial PanAmazônica (REPAM) e pela
realização da COP 30, em Belém
(PA), a primeira na Amazônia, acolhendo a sugestão da
Comissão Episcopal
Especial para a Mineração e a Ecologia Integral, foi
escolhido o tema: Fraternidade
e Ecologia Integral e o lema: “Deus viu que tudo
era muito
bom” (Gn 1,31).
A
Ecologia é a questão mais tratada pelas CF’s ao
longo destes 61 anos de
existência. Foram 8 as CF’s que de alguma forma abordaram
essa temática:
na CF 1979, Por um mundo mais humano:
Preserve o
que é de todos”;
na CF 1986, Fraternidade e a Terra:
Terra de
Deus, terra de irmãos;
na CF 2002, Fraternidade e povos
indígenas: Por
uma terra sem males;
na CF 2004, Fraternidade e
água: Água, fonte de
vida;
na CF 2007, Fraternidade e
Amazônia: vida e
missão neste chão;
na CF 2011, Fraternidade e a Vida no
Planeta: “A
Criação geme em dores de parto” (Rm 8,22);
na CF 2016, Casa comum, nossa
responsabilidade:
“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça
qual riacho que não
seca” (Am 5,17) e
na CF 2017, Fraternidade: Biomas
Brasileiros e
defesa da vida: “Cultivar e guardar a
Criação” (Gn 2,15).
Portanto,
neste ano, a Campanha da Fraternidade aborda outra vez a
temática ambiental,
com o objetivo de “promover, em espírito quaresmal e em
tempos de urgente crise
socioambiental, um processo de conversão integral, ouvindo o
grito dos pobres e
da Terra” (Objetivo Geral da CF 2025).
A
Ecologia reaparece no conjunto das CF’s de uma forma nova, como
Ecologia
Integral, conceito tão caro ao Papa Francisco e que é
tão importante no seu
projeto de um Novo Humanismo Integral e Solidário, para o qual
são bases a
Amizade Social, tratada na CF 2024, a Educação, tratada
na CF 2022 e no Pacto
Educativo Global, o Diálogo, tratado na CF 2021 e a
misericórdia ou Compaixão,
tratada na CF 2020.
Os
elementos da identidade visual
A
identidade visual da Campanha da Fraternidade 2025 é de autoria
do Paulo
Augusto Cruz, da Assessoria de Comunicação da CNBB. Nela
estão representados os
seguintes elementos:
São Francisco de
Assis
Em
destaque no cartaz, São Francisco de Assis representa
o homem
novo que viveu uma experiência com o amor de Deus, em Jesus
crucificado, e
reconciliou–se com Deus, com os irmãos e irmãs e
com toda a criação. Esta
reconciliação universal ganha sua maior expressão
no Cântico das Criaturas,
composto por São Francisco há precisos 800 anos. O
recorte é da obra do período
barroco “Êxtase de São Francisco de Assis”, de
Jusepe De Ribera.
A cruz
No
centro, a Cruz é um elemento importante na
espiritualidade
quaresmal e franciscana. No cartaz, ela recorda a experiência do
Irmão de Assis
com o crucifixo da Igreja de São Damião, em Assis, na
Itália, onde Francisco
ouviu o próprio Cristo que falava com ele e o enviava para
reconstruir a sua
Igreja. No início, Francisco entendeu que era a pequena Igreja
de São Damião.
Mais tarde, compreendeu que se tratava de algo bem maior, a Igreja
mesma de
Deus. A Quaresma é este tempo de reconstrução de
cada cristão, cada comunidade,
a sociedade e toda a Criação, porque somos chamados
à conversão.
A natureza
A araucária,
o ipê amarelo, o igarapé, o mandacaru,
a onça pintada e as araras
canindés, representam a
fauna e a flora brasileiras em toda a sua exuberância, que ao
invés de serem
exploradas de forma predatória, precisam ser cuidadas e
integradas pelo ser
humano, chamado por Deus a ser o guarda e o cuidador de toda a
Criação.
As cidades
Os prédios e
as favelas refletem o Brasil a cada dia mais urbano,
onde se
aglomeram verdadeiras multidões num estilo de vida distante da
natureza e
altamente prejudicial à vida. Cada um de nós, seres
humanos, o campo, a cidade,
os animais, a vegetação e as águas fomos criados
para ser, com a nossa vida, um
verdadeiro “louvor das criaturas” ao bom Deus.
A colagem
O uso do estilo de colagem é uma escolha artística e simbólica. A técnica possibilita a união de elementos diferentes em uma única composição, refletindo a diversidade e a interligação entre tudo o que existe, entre toda a Criação. A escolha do estilo também faz referência à Ecologia Integral, onde todos os aspectos da vida – espiritual, social, ambiental e cultural – são considerados e valorizados. Cada pedaço na colagem, apesar de único, contribui para a totalidade da imagem, assim como cada pessoa e cada parte do meio ambiente tem um papel crucial na criação de um mundo sustentável e harmonioso.